Polícia Civil investiga lavagem de dinheiro do jogo do tigrinho por fintechs ligadas ao CV e ao PCC

A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou uma investigação sobre um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o “jogo do tigrinho”, um jogo de azar divulgado por influenciadores digitais. A apuração aponta que os recursos milionários, que ultrapassam R$ 4,5 bilhões em movimentações financeiras suspeitas, podem ter sido lavados por meio de fintechs sem regulamentação, algumas sob influência das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o delegado Renan Mello, da Delegacia de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro, o esquema utilizava uma estrutura complexa para ocultar a origem ilícita do dinheiro arrecadado. Inicialmente, os valores eram pulverizados em diversas contas bancárias de terceiros e empresas de fachada — nove dessas já foram identificadas, mas seus nomes ainda não foram divulgados. Parte das transações ocorria por fintechs de controle baixo, facilitando movimentações rápidas que dificultam o rastreamento.

Após essa fase, o dinheiro seguia para operadores financeiros que realizavam sucessivas transferências, dificultando o acompanhamento das origens dos recursos. A etapa final consistia na reinserção desses valores na economia formal por meio da compra de bens como imóveis de luxo, veículos importados, viagens internacionais e um alto padrão de vida ostentado pelos investigados nas redes sociais.

A investigação da operação denominada “Desfortuna”, deflagrada em 7 de agosto, mirou 15 influenciadores, entre eles Bia Miranda e Maumau — este último preso em São Paulo com uma arma ilegal. Os investigados, que juntos somam mais de 30 milhões de seguidores, são acusados de serem o “braço publicitário” do esquema, promovendo o jogo com falsas promessas de ganhos fáceis e recebendo comissões, sobretudo a partir de cobranças sobre o prejuízo dos apostadores. A polícia também investiga a participação de operadores financeiros, empresas de fachada e intermediários responsáveis pelo aliciamento dos influenciadores, com movimentações incompatíveis com as rendas declaradas.

A polícia aguarda ainda a perícia nos dispositivos apreendidos para aprofundar as provas e tenta contato com os investigados, que até o momento não se pronunciaram oficialmente. O caso evidencia uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro associada ao crime organizado, utilizando plataformas digitais e fintechs como instrumentos de ocultação e expansão financeira.

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