Diante das tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo Lula tem articulado uma resposta que vai além da retaliação comercial. Com tom firme e discurso de soberania, o presidente optou por um plano de contingência com foco social, mirando diretamente na proteção de pequenos empreendedores, trabalhadores e setores estratégicos da economia. A meta é minimizar os impactos sem escalar o conflito com Washington — pelo menos por enquanto.
A estratégia, coordenada por Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio), envolve desde a abertura de linhas de crédito até a criação de mecanismos de apoio a exportadores afetados. Também está sobre a mesa o uso de compras públicas como ferramenta para absorver perdas em setores-chave, como alimentos e manufaturas. Segundo fontes do governo, a prioridade é “aliviar a base” da pirâmide produtiva sem comprometer a estabilidade econômica.
Lula, por sua vez, adotou um discurso combativo. Em declarações recentes, afirmou que não aceitará “ordens de gringo” e classificou as medidas de Trump como injustas e unilaterais. Ainda assim, descartou qualquer negociação apressada com os Estados Unidos, reforçando que o Brasil “não bate continência para bandeira estrangeira”. Ao mesmo tempo, o Itamaraty avalia ampliar acordos com outros blocos comerciais e apostar em alternativas diplomáticas no âmbito do BRICS e da União Europeia.
Nos bastidores, a leitura é de que a crise pode, paradoxalmente, fortalecer Lula politicamente. O posicionamento altivo diante da maior potência mundial e o foco em medidas sociais projetam uma imagem de liderança responsável, algo que pode reverberar positivamente no eleitorado em um cenário pré-eleitoral. No Planalto, a avaliação é de que o enfrentamento — bem calculado — pode virar um ativo político para 2026.
