Neste sábado (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma ligação telefônica do presidente russo Vladimir Putin, que durou cerca de 40 minutos. Durante a conversa, segundo nota oficial do Palácio do Planalto, os presidentes discutiram os esforços em curso para buscar a paz na guerra da Rússia contra a Ucrânia, com Putin compartilhando detalhes sobre suas negociações com os Estados Unidos. Lula reafirmou o apoio histórico do Brasil ao diálogo e a soluções pacíficas, destacando a disposição do governo brasileiro para colaborar, inclusive por meio do Grupo de Amigos da Paz, criado em conjunto com a China para mediar o conflito.
Além do tema do conflito, os líderes também abordaram o atual cenário político e econômico internacional, falando sobre a cooperação bilateral e dentro do bloco dos BRICS. Putin parabenizou o Brasil pelos resultados da cúpula do grupo realizada em julho no Rio de Janeiro, enquanto Lula e Putin confirmaram o compromisso de promover a próxima edição da Comissão de Alto Nível de Cooperação Brasil-Rússia ainda neste ano. A aproximação entre os dois países reforça a parceria estratégica e o fortalecimento da atuação conjunta no bloco de economias emergentes.
A conversa ocorreu poucos dias antes do encontro previsto entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Alasca, buscando avanços para o fim da guerra, que já dura mais de três anos. Lula tem defendido a participação de diferentes países, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), para mediar o cessar-fogo e facilitar acordos de paz entre Rússia e Ucrânia. O diálogo com Putin reforça essa postura de busca por soluções diplomáticas para o conflito que tem impactos globais.
O telefonema também aconteceu em meio a crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, após o governo americano elevar tarifas sobre produtos brasileiros, e críticas de Trump aos BRICS. No entanto, Lula e Putin seguem fortalecendo os laços multilaterais e enfatizando a cooperação estratégica como caminho para enfrentar desafios internacionais. A articulação conjunta reflete o esforço do Brasil em manter um papel ativo na diplomacia global, equilibrando interesses regionais e globais.
