A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil voltou a criticar duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por meio das redes sociais, em uma publicação que também defende o ex-presidente Jair Bolsonaro e faz uma clara ameaça a aliados do magistrado. Numa tradução para o português de um post do subsecretário de Diplomacia Pública americano, Darren Beattie, a embaixada qualificou Moraes como o “principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”, citando as sanções impostas a ele pela Lei Magnitsky — que congelou seus bens nos EUA e suspendeu seu visto.
No comunicado, a Embaixada adverte que “os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes” e reforça que “está monitorando a situação de perto”, emitindo um tom explícito de ameaça. Essa postura intensifica ainda mais o clima de tensão diplomática e institucional entre Brasil e Estados Unidos, além de provocar forte reação por parte do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, que classificou o teor da postagem como ingerência inaceitável em assuntos internos.
A nota invoca a Lei Magnitsky, usada pelos EUA contra estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos e corrupção, para justificar as sanções contra o ministro Moraes, numa medida atípica que marcou um ponto de crise na relação bilateral. A Embaixada acompanha de perto as decisões do Supremo relacionadas a Bolsonaro e seus aliados, o que tem elevado o conflito político-jurídico a um patamar diplomático delicado, com o governo brasileiro já manifestando sua profunda indignação e convocando oficialmente o representante dos EUA para prestar esclarecimentos.
Esse episódio reflete as crescentes dificuldades na convivência entre a soberania brasileira e a pressão externa, inseridas no contexto da polarização política interna e das disputas judiciais envolvendo o ex-presidente e a Corte Suprema. A continuidade das investidas norte-americanas contra membros do Judiciário brasileiro promete influenciar os rumos da diplomacia e da estabilidade institucional do país nos próximos meses.
