A crise financeira do futebol brasileiro não é novidade, mas agora parece ter ganhado um novo capítulo — ou pelo menos, uma promessa de mudança. Em um encontro realizado no Rio de Janeiro, a CBF se reuniu com representantes de clubes e especialistas para discutir a criação de um sistema nacional de Fair Play Financeiro, batizado oficialmente de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A proposta é clara: dar um mínimo de equilíbrio às finanças dos clubes antes que o caos se torne regra.
O tom do encontro foi de urgência. O vice-presidente da CBF, Ricardo Gluck Paul, usou uma analogia forte ao comparar o futebol brasileiro a um “Titanic que já bateu no iceberg e está afundando”. Segundo ele, o país precisa agir rápido para evitar o colapso. O objetivo é fechar um relatório com diretrizes nos próximos 90 dias e tentar colocar o sistema em prática já a partir de 2026. Mas entre boas intenções e a realidade, há um gramado inteiro de obstáculos.
Entre os clubes, há consenso de que algo precisa mudar. Durante simpósios anteriores, dirigentes de Flamengo, Fluminense, Fortaleza e Internacional chegaram a propor uma solução direta: “não pagou, não joga”. A ideia é simples e potente — impedir que clubes inadimplentes entrem em campo, o que seria uma forma de responsabilizar quem não cumpre com seus compromissos, como salários e dívidas de transferências. A medida evitaria a impunidade e garantiria um mínimo de justiça esportiva.
Só que o buraco é mais embaixo. Quem vai fiscalizar? Quem terá coragem (e autonomia) de aplicar punições a gigantes do futebol brasileiro? O presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, levantou justamente essa questão: sem um órgão forte e imparcial para fiscalizar o cumprimento das regras, todo esse debate corre o risco de ser apenas mais uma boa ideia arquivada no vestiário. O futebol brasileiro pede socorro — e as promessas agora precisam sair da prancheta e ir direto para o campo.
