Mesmo fora da política, Flávio Dino ainda dá as cartas no Maranhão
Mesmo longe das urnas desde que assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal em 2024, Flávio Dino segue sendo peça-chave no tabuleiro político do Maranhão. O atual governador, Carlos Brandão, enfrenta dificuldades para indicar um novo conselheiro ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) desde fevereiro. A tentativa esbarra justamente em uma decisão de Dino, que suspendeu o processo após questionamentos sobre o rito da indicação.
A relação entre os dois, antes marcada por aliança, azedou após Brandão recuar do apoio ao nome de Felipe Camarão — atual vice-governador e apadrinhado de Dino — como seu sucessor nas eleições de 2026. O impasse ganhou força com a indicação do advogado Flávio Costa, próximo a Brandão, cuja escolha foi questionada judicialmente pelo partido Solidariedade, oposição ao governo. A legenda alegou falta de transparência e atropelo no processo de votação na Assembleia Legislativa.
A crise ganhou novos contornos políticos com o avanço do grupo de Dino sobre o PSB local. A senadora Ana Paula Lobato, que era suplente de Dino e assumiu sua vaga no Senado, filiou-se ao partido e tomou o comando estadual da sigla, antes nas mãos de Brandão. Nos bastidores, aliados do governador acusam a base de Dino na Assembleia de travar a indicação ao TCE para beneficiar o deputado estadual Carlos Lula, ligado ao grupo do ministro.
Em meio à disputa, surgiu ainda uma denúncia explosiva: uma advogada de Minas Gerais, sem conexão direta com o caso, pediu para atuar como amicus curiae e afirmou que há um esquema de compra de votos para conselheiros do TCE, além de supostos favorecimentos pessoais na indicação. Dino negou a participação da advogada no processo, mas determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar as denúncias — jogando mais lenha em um fogo que, ao que tudo indica, está longe de se apagar.
