O velório do cantor e compositor Arlindo Cruz, que faleceu aos 66 anos, será realizado neste sábado (9/8) na quadra da escola de samba Império Serrano, no Rio de Janeiro, em um formato ritualístico conhecido como gurufim. Essa cerimônia é uma tradição ancestral africana trazida ao Brasil pelos povos escravizados e é comum nas despedidas de grandes nomes do samba. No gurufim, amigos e familiares se reúnem para cantar, beber e celebrar de forma festiva, transformando a dor da despedida em um momento de alegria e homenagem, garantindo uma partida tranquila para o artista que parte.

A família de Arlindo Cruz solicitou que os convidados usem roupas claras na cerimônia — um gesto simbólico que representa a luz e a alegria que o sambista espalhou ao longo da vida. Além do momento público aberto aos fãs e admiradores, haverá uma etapa reservada para os familiares e amigos mais próximos. A celebração mistura música, festa, bebida e dança, elementos que acompanham o ritual para aliviar o luto, celebrar a vida e a passagem para outra dimensão, conforme a cultura afro-brasileira.
O nome “gurufim” tem origem no idioma quimbundo, de Angola, e significa “adeus” ou “despedida”. Segundo estudiosos, como o historiador Luiz Antônio Simas, o gurufim simboliza um luto que não sufoca a alegria, mas sim a mistura de festa e reverência para “enganar a morte”. A tradição está presente em funerais de outros grandes sambistas, como Beth Carvalho e Bira Presidente, reforçando sua importância cultural dentro do samba e das religiões de matrizes africanas, como o candomblé e a umbanda.
Após a celebração festiva, o sepultamento de Arlindo Cruz está marcado para domingo (10), às 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, região do Rio de Janeiro. O gurufim representa não apenas uma forma de despedida, mas uma continuidade do legado e da luz do artista na memória do samba e da cultura brasileira.
